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sexta-feira, 18 de junho de 2021

A calva

  

Há uma calva alva esperando

para atravessar na faixa

Mas, a guarda, ninguém baixa

Ela se demora, e enquanto o sol brilha

A calva sua e também brilha como sol

Ao refletir seus raios

 

A calva não se dá por vencida

E estende a mão como manda o figurino

Daí vem o motorista inconsequente

  um caminhão e quase a atropela

Babaca!

Se sua mãe o visse — e ouvisse, motorista,

  o que pensaria ela?

Xingada sem dó nem piedade,

pelo moço gordo que atravessava do lado oposto

 

Ah, a calva! A calva alva...

 

De repente, o motoqueiro, à toda,

  despenca da calçada acelerando

E quase lhe arranca um membro

É como se estivesse num enduro — o

  jogo é duro

Igual ao chão beijado após o desvio

  tresloucado

E depois de caído, com o corpo

  retesado

O capacete retirado; vai ralhar, 

  sem calma, com a calva:

— O que você faz na rua, 

  atrapalhando o trânsito?

Eu sou motoqueiro, faço entregas 

  vapt-vupt

Não tenho tempo para atrasos

E isso isenta minha responsabilidade

A culpa é sua, a culpa é sua,

Da calva que sua; e brilha como o sol.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Faroeste barroco, o excesso de ornamentos e a liberdade das formas para ferrar um povo

   

O pior que pode acontecer a um povo civilizado

É ver no poder ideólogos, militantes mascarados

Ditos homens de honra e mulheres guerreiras

Tanta baboseira...

 

Errado é o certo; e a perseguição é covarde

Calam as vozes, tiram as liberdades

Perseguem criminosamente os contrários

Desumanizam os que chamam de adversários

 

Os criminosos tomam as ruas, e gente honesta é sitiada

A polícia castrada, difamada, dizimada

Com a chancela dessa casta iluminadE

Que não gosta de gente e diz amar a humanidade

 

Soltam homicida, estuprador e traficante

Mas tocam o terror com velhinho manifestante

Que vai às ruas defender a Constituição

Pedir respeito ao resultado da eleição

 

Aprofundam a propaganda nefasta de um vírus letal

Para impor goela abaixo a Nova Ordem Mundial

Geram a fase do caos, assustam todo mundo

Por dinheiro, pagam pau para um império imundo

 

Não há negacionismo, mas o coviRd mata menos

Que certos vírus considerados males pequenos

A finalidade é o controle social

Dar o grande reset, Quarta Revolução Industrial

 

O projeto implementado desde longa data

Foi interrompido pelo povo, que deu um basta!

Isso gerou a ira dessa casta democrata

Santos iluministas, gente caricata

 

Especialistas saem dos esgotos

E defendem qualquer argumento escroto

Chutam números, pesquisas são inventadas

É a revolta de quem perdeu a luta armada

 

Bandidólatras fingem não haver democídio, pedofilia, infanticídio

Catastrofistas semiletrados caôs, com dipRoma de dotô

Sentam à mesa com autoridades oligofrênicas

Pela defesa da ideologia anti-higiênica

 

Movidos por inveja, cobiça e ódio

Um pior que o outro na busca pelo melhor lugar no pódio

Centenas ou milhares de mortos, não importa

É pela causa, por uma ideologia torta

 

Liberam as drogas e todos vão se entorpecer

Vedam as armas pra quem quer se defender

Conservadores assassinos, acuados merecem ser

Devem assistir calados às sacanagens do Poder

 

Discurso de ódio, fake news

Apontam falsários imbecis

Se hoje o mote é a ditadura sanitária

Antes foi o clima e a agropecuária

 

Pregam respeito às instituições

Sob pena de prisão por suspeitíssimas decisões

Não se pode criticar os progressistas

Quem o fizer vai ficar na pista

 

Dividir para conquistar

Deseducar e manipular

O fim das famílias e do cristianismo

Desejar boa morte ao adepto do conservadorismo

 

Proibir o culto, perseguir os lúcidos

É a ditadura dos cúpidos

Que trancam o povo em casa, compram sem licitação

Cortina de fumaça que esconde a corrupção

 

Quem reclama é nazista, fascista,

Obscurantista, terraplanista

Adulteram o significante e o significado

Enquanto mentem que são livres de pecados

 

Deus me livre dividir a visão de mundo

Com Lênin, Stálin, Che Guevara – o imundo,

Mao Tsé-Tung, Pol Pot, Fidel Castro

Genocidas que apagam os rastros

 

Ter a vida pautada por ideias vazias

Oprimido por adeptos da tirania

Que pregam um futuro melhor

Enquanto pavimentam o caminho com o terror

 

Muita gente morreu e vai morrer

Pra dar boa vida aos que estão no Poder

Deus me livre aderir a globalismo, positivismo,

Comunismo, socialismo, cientificismo

Prefiro os dons da fé, da esperança e da caridade

Amar o ser humano, e não a humanidade.

 

 

Fernando César Borges Peixoto

Advogado, niteroiense, gosta de escrever e, de certa forma, é um saudosista

 


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Princesa




Acordo esgotado, trabalho cansado
Resistência extenuada nos dias arrastados
Talvez eu mereça...
Mas, no fim da noite, eu sei
Que vou chegar a casa e encontrar você
Vai mudar minha rotina
Dar um gás animal
Vestir a fantasia de princesa
Ou virar a heroína que ilumina
A minha vida; ficar acesa
Eu paro de imaginar, prefiro ver
Escrever poesias, ser o guia da minha própria guia
Quem veio ser meu norte
Quem traz sorte, mansidão
Cuida do meu coração
Com o maior dos remédios: amor.




Fernando César Borges Peixoto
Advogado, niteroiense, metido a escrever algumas coisas e, até certo ponto, um saudosista.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Sonhos não se controlam




Aquela vez em que estivemos em casa de mi mamá,
Eu não as quis constrangê-las ao beijar suas faces
Estava celebrando a vida,
Homenageando suas belezas, agradecendo por suas presenças, finalmente, físicas


Quando sofri pela ausência dela, eu não as quis entristecer
Apenas externei que sentia falta de quem sempre esteve  ali, num cantinho, nos últimos tempos
E é muito difícil para mim, d’estar naquele lugar
E encarar com naturalidade a dura realidade


Achei que o destino – ou o acaso – havia-as enviado
Para me ajudarem a esquecer, encarar melhor
Mas, mesmo não passando de um sonho – e era realmente isso
Eu consegui estragar tudo, como sempre faço onde me meto.
Foi o que entendi dos seus agravos.


Peço as devidas escusas, inclusive pela trilha sonora que impingi: “Bananeira mangará”
E prometo que, doravante, vou manter a amizade à distância,
E, ainda que não possa controlar o enredo daquilo que vou sonhar
Prometo acordar no exato momento em que puder vir a deixar alguém sem chão ou lugar
Porque nunca gostei de ser incompreendido.


Vejam bem: Eu conheço suas inteligências, li seus textos, sei o que estudam – ou dizem estudar –,
Mas não conheço as suas neuroses ou histerias.
E por isso meio que encerro aqui, embora não sendo peremptório,
Pois reconheço a dificuldade de continuar o mesmo d’antes
Até porque o incidente evidenciou o mal que faz estar enfurnado nessa “irreal life”
Não faz sentido dedicar tanto tempo a ela, uma rota de fuga da dura realidade.


Continuarei deixando papos-firmes, coraçõezinhos e ha-has, mas com baixíssima frequência.
Comentarei o mínimo, e apenas quando logar,
E depois de responder “meus seguidores”.
Saio para cuidar de mim, sem entrar para a história.
Vou apenas suprir minha ausência em minha vida e,
Em especial, atentar para quem ainda está aqui, em carne, osso e espírito.



Fernando César Borges Peixoto
Advogado, niteroiense, gosta de escrever e, de certa forma, é um saudosista.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Egolatria

Fernando Peixoto

Ela insiste,
     quer que eu me esforce
     e me transforme no que jamais imaginei.
Finge não ouvir o que há tempos segredei.
Realiza expectativas nos meus passos,
     com a pretensão de guiá-los.
Resolve o porvir
     sem sequer conhecer a fragrância do perfume em meu corpo,
     misturado ao meu suor.

Que tempos tacanhos!
Pensamentos estranhos...
Mas não sou um ser virtual,
     tenho carne, sangue, osso e tutano.

Então, deleto meu perfil, e sigo
     à procura de algo mais humano.