Fernando César Borges Peixoto. Advogado, pós-graduado em Direito Público e em Direito Civil e Processual Civil, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, saudosista.
No blog, que a minha filha ajudou a criar, pretendo apresentar crônicas, contos, poesias, fábulas, ensaios e artigos sobre política, economia, Direito, história, educação, sociedade, relações humanas, experiências pessoais e ficção.
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Abilolado
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Milf *
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
terça-feira, 29 de agosto de 2017
João Bosco, dissonantes e cachaça
Dez horas da manhã, um grupo de
adolescentes tocava violão e cantava na esquina em que os mais velhos se
reuniam à noite, para jogar conversa fora. No meio de semana, férias escolares,
verão – já, já o sol estaria batendo a pino sobre a mufa, mas não se importavam.
Viviam a renovação da música na
década de oitenta, e só conheciam os gemidos anasalados de Chico e os gritinhos
histéricos de Caetano porque os professores impunham-lhes goela abaixo.
Rock nacional na veia, iam de Barão,
Paralamas, Lobão e Lulu Santos. Todo o repertório mal tocado – e mal cantado
também –, mas era divertido. Ao menos, não perturbavam a vizinhança furtando
frutas, invadindo casas para “roubar” um banho de piscina, incitando cães a
latirem, ou fumando maconha, para falarem bobagens e reclamarem de fome. (“Eu
podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui maltratando as
cordas de um Di Giorgio”.)
Surge um mamulengo do nada,
cambaleante, com cheiro de álcool, e pede o violão. Não tinha trinta anos.
Olhares enviesados — sabe-se lá por que —, entregam-lhe o instrumento, que cola
no ouvido e bate nas cordas: “dom-dom-dom, din-din-din, pléin-pléin-pléin...”.
Aperta daqui, afrouxa de lá e devolve o violão.
- Confere aí!
O menino, puto, dedilha o pinho:
“lá-lá-lá-lá, ré-ré-ré-ré, sol-sol-sol-sol...”. Olha espantado, e solta um:
- Tá afinadinho.
A figura sorri e pergunta:
- Posso tocar uma música?
Os moleques, agora curiosos, dizem em
uníssono que sim; e ele manda um monte de dissonantes, faz uma papagaiada
danada, e canta Papel Marchê, de João Bosco. Um deles estudava música, e ficou
embasbacado com a destreza do bebum, que parou no meio da execução, e perguntou
se gostaram. Todos acenaram que sim, e ele pediu para lhe pagarem uma cerveja.
“Não!”, disseram os jovens que
normalmente não tinham dinheiro nem para um picolé.
- E uma cachaça? Mas caprichada...
Um dos meninos coçou o bolso e tirou
uma nota que dava para pagar umas duas doses caprichadas da cachaça mais
vagabunda, e outro, mais velho, foi lá buscar. Na volta, disse:
- Moço, o Carlinhos mandou num copo
de plástico, depois de fazer um interrogatório danado.
Deu uma talagada e voltou a tocar:
João Gilberto, Tom Jobim, João Bosco; improvisou, e tocou (sabe lá Deus se bem
ou mal) música clássica... O tempo avançava, e o primeiro copo se foi. Veio o
segundo e, junto, mais músicas – um violão muito bem tocado para a realidade
daqueles neófitos.
No meio do segundo copo, já era quase
meio dia – o sol estava rachando, e o bebum resolveu ir embora. Matou tudo, e
se despediu dizendo que tocava num barzinho, num bairro próximo.
Saiu mais cambaleante que quando
chegara.
Na sexta, os meninos se reuniram e
foram vê-lo tocar. Talvez estivesse sóbrio, e aí seria um espetáculo. Ao
chegarem, viram que os músicos se arrumavam, mas nada dele chegar; e resolveram
perguntar ao cantor, que respondeu entredentes: — Aquele cachaceiro
irresponsável nunca mais vai tocar comigo.
Acabou a graça. Os meninos voltaram para casa em silêncio.
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Sem água, por favor!
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
Onde é que eu estava o tempo todo? Ocupado demais (II)
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Onde é que eu estava o tempo todo? Ocupado demais (I)
Raimundo
Raimundo Cavalcante tinha terras
na Paraíba, mas a seca constante o fez desistir e partir para arranjar o que
fazer no sul. Preferia trabalhar, e por isso dispensou viver pendurado no
governo. Pretendia continuar vivendo no campo, para lidar com o que tinha
experiência; e em pouco tempo já estava bem instalado numa pequena fazenda,
onde tocava o pomar e a horta, e cuidava de porcos, carneiros, patos, galinhas
e marrecos. Aquele pedaço de terra era um sonho.
Como não estava muito afastado da
Cidade, podia frequentar a Igreja Matriz, Católica, Apostólica e Romana, àquela
altura dominada por devotos da teologia da libertação.
Um belo dia, um membro da
comunidade eclesial de base puxou assunto, e perguntou a Raimundo o que ele
achava do “golpe”. Raimundo, homem muito atarefado e ensimesmado, desconhecia
os jargões da esquerda brasileira, e perguntou: – Quediabéisso?
Então, ouviu:
- O golpe que o Temer deu na
presidenta Dilma por ter tirado milhões da pobreza, pois a elite odeia ver os
pobres fazendo compras, tomando avião e frequentando os mesmos lugares que os
ricos.
Raimundo respondeu:
- I u hômi num fazia propaganda e
discussu juntu cua Dirma? Eis num tava juntu? Eu vi, das duas vez, qui eis tava
juntu.
- Não senhor! Se Temer não estivesse
lá, ela não ganhava. Foi obrigada a aceitar por imposição das elites. Mas ele
se juntou com os tucanos e deu um golpe na mãe Dilma. E ainda querem prender o
papai Lula. Gente ruim, que não larga o poder.
- Óia, seu moçu — disse Raimundo —, eu num sô letradu, i tive qui
saí de minha terrinha pruque num tive ajuda di ninguém. Nem quiria. Larguei
tudu pra lá i vim trabaiá nu su do país. Mais meu patrão, que é rico, i muitcho
bão, tamém tem dificurdade pra tocá a fazenda. Mai tem muitcho amigu dus hômi
qui tão nadanu nu dinhêru. Issu é justo? Eis déru geladêra i tevelisão prus
pobri, i mansão, iati i dinheiru grossu prus ricu, e ficaro com um naco pra eis
tamém i prus cumpádi deis. E nissu aí, tá eis tudu mitidu: Lula, Dirma, Têmi...
Jesus num qué issu não, viu?
Irritado, o fiel foi embora, não
sem antes chamar Raimundo de cão adestrado da burguesia.
Raimundo, que não estava nem aí,
voltou para casa, reconfortado pela Palavra lida na Santa Missa. Agora,
precisava descansar no domingo do Senhor, porque tinha uma semana dura pela
frente, em que precisava estar bem-disposto para trabalhar pesado, como sempre
fez e nunca reclamou.
Vinho no livro
quarta-feira, 12 de julho de 2017
Fim de papo
segunda-feira, 12 de junho de 2017
A Incontinência
sexta-feira, 5 de maio de 2017
A cerveja quente, o pote vazio
Bartolomeu recorria outra vez ao cofrinho, catando algumas entre as parcas moedas (que outrora abundavam), para pagar as passagens de ônibus. Vivia essa rotina desde que uma nova crise se abatera pelo país, mas ao menos não entrava mais no cheque especial, nem o cartão de crédito era rejeitado na hora de abastecer o carro, que havia vendido para pagar dívidas e, com a sobra, comer por mais uns dias.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Três atos de escrotidão
Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Egolatria
Sim, eu tenho tutano!
Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.
Do alto da colina
Fernando Peixoto
Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de
certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.
domingo, 19 de março de 2017
O avanço na liberação das drogas
Fernando César Borges Peixoto. Advogado, pós-graduado em Direito Público e em Direito Civil e Processual Civil, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, saudosista.