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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A idosa


Feministas se manifestavam em frente a uma Igreja Católica com os peitos à mostra e usando bermudas brancas que deixavam à mostra o sangue menstrual por não usarem absorventes. Uma senhorinha franzina, com um crucifixo enorme no peito, saiu e perguntou o porquê daquela manifestação, e uma delas respondeu que era pelo empoderamento da mulher naquela sociedade machista opressora.
A senhora, radiante, disse:
- Que bom que vocês se preocupam com as mulheres. Foi Deus que mandou vocês aqui.
Então, entre sorrisinhos marotos e caretas desconfiadas, ela as convidou para ajudarem a levar o lanche da tarde num lar para senhoras abandonadas. Estava marcado para aquele dia e não havia ajudantes. Precisava apenas de trabalho físico, pois já havia conseguido todo o material necessário. É que os antigos ajudantes, pequenos empresários da comunidade mariana, não dispunham mais de tempo desde que tiveram que assumir o negócio com toda a família, após serem obrigados a demitir os funcionários em razão da crise por que passa o país. Ela afirmou que essa seria uma excelente oportunidade de fazer algo pelas mulheres.
As moças responderam que estariam ocupadas naquela tarde, pois haviam marcado um encontro com as meninas do coletivo para irem fazer cocô e xixi na escadaria do prédio de humanas na Universidade Federal que havia ali perto, onde elas estudavam, em média, há 9 anos.
Já de saída, a líder parou. Olhou para trás e chamou a senhora de “velha subserviente do Deus imaginário de uma religião machista”, e disse que ela não ligava para as mulheres discriminadas naquela sociedade patriarcal.
A senhora, em lágrimas, respondeu com voz fraquejante:
- Jesus te ama, filha, e eu também.



No Guanabara


Fui comprar uma couve chinesa e uma garrafa de 3 Fazendas no aniversário do Guanabara, e enquanto procurava nas prateleiras, ouvi a auxiliar de serviços gerais falar para a repositora de mercadorias que tinha lido no site 931 que os black blocs tinham quebrado tudo em São Paulo, na passeata para não pagar passagem.
A colega respondeu que era tudo fricote de filhinho de papai e de mamãe endinheirado que não tem o que fazer. Tipo de gente que fica mais de 10 anos pendurado na faculdade pública ocupando as vagas de quem precisa. Disse ainda que dinheiro não dá em árvore e a passagem “de grátis” vai sair do bolso de alguém. De preferência do pobre, o queridinho de Lula e Dilma que sempre paga a conta.
Segundo ela, os políticos querem é pagar a passagem com o dinheiro público, porque os donos das empresas de ônibus vão lucrar muito mais e vai sobrar um cascalho dos grandes para eles, pois a corrupção atingiu níveis como jamais vistos na história desse país e do mundo. Ela ainda continuou, falando que esse pessoal aí só agita nos Estados que não têm conchavo com o PT, e que no Rio começou assim, mas quando Cabral, Pezão e o prefeitinho começaram a puxar-saco, não teve mais passeata e quebra-quebra. Agora, em São Paulo sempre tem essas coisas porque parece que os homens de lá são da oposição. Se bem que é tudo farinha do mesmo saco, viu?
As lágrimas correram dos meus olhos. Não me contive e dei um beijo em cada uma. O Brasil precisa de gente como a repositora de mercadorias, com tamanha dignidade, discernimento e conhecimento de política. Fiz questão de incentivá-la porque certamente vai subir muito na empresa ou arranjar um emprego melhor logo, logo, pois faz por merecer.
Aproveitei e disse à colega que deve aprender com a outra, buscar notícias em locais confiáveis e não acreditar em tudo o que lhe dizem.
Saí dali feliz da vida, doido para tomar minha pinga e comer minha salada junto com um belo ovo, porque não dá para comprar carne nesses tempos de governo para os pobres.
No supermercado, disputando mercadorias, caíam mil à minha esquerda e 10 mil à minha direita, mas eu havia me livrado do laço do passarinheiro e triunfava entre todos.
A fila para pagar estava entupida, mas eu nem liguei.


O país do futuro


No MEU Brasil, xs artistxs assumiram o Ministério da Propaganda e isso permite que eles criem e atuem em espetáculos cada vez mais glamorosos e inovadores, principalmente depois de aprovada a Lei Antônio Pitanga de Incentivo Artístico, que substituiu a Lei Rouanet.
Um espetáculo muito famoso é “elefantinhos”, adaptação da célebre “macaquinhos”, onde os performers abrem a roda e se exploram introduzindo a tromba uns nos outros.
As profissionais da prostituição que não aderem às maravilhas sociais implementadas pelo coletivo feminazi e recusam o aborto, cuidam de seus filhos com a dignidade que o sistema igualitário proporciona a todos os cidadãos. E para obterem uma renda extra, trabalham em cooperativas de artesanato feito de material reciclável, o que lhes garante os mesmos ganhos dos camaradas advogados, médicos e engenheiros.
Mendigos, detentos, loucos e lazarentos, embora continuem vítimas da sociedade, cumprem as profecias de Marcuse e Deleuze ao assumirem seu papel revolucionário na criação do Jardim do Éden terrestre.
Quase toda a população é formada de pós-doutores, graças ao sistema universal de cotas que corrigiu um erro histórico, reservando vagas até nas creches de fundo de quintal. Os cursos mais disputados são os de Medicina Marxista, Engenharia Marxista, Direito Marxista, Direito Frankfurtiano, História Gramcista, Psicologia Foucaltiana, Sociologia Foucaltiana e Filosofia Marx-Gramsci-Foucaltiana. Todos agora são como as camareiras cubanas nos hotéis de Varadero: advogadas, psicólogas e pedagogas que falam 3 línguas. Tudo chique demais.
Os caucasianos, seguindo a tendência europeia, parcelaram suas dívidas históricas com os negros, prometendo quitá-las ao empenharem os esforços de até suas décimas gerações.
O país também se transformou num Estado Teocrático ao oficializar a “Igreja da Teoria da Libertação da Mãe Terra”, cujo culto à mandioca é obrigatório, submetendo o infrator ao “Tribunal Eclesiástico Humanista da Santa Cremação Revolucionária para o Bem de Todos”. Em meio a 957 mil e 352 leis pátrias, esse é um dos poucos crimes em que se aplica a pena máxima aos infratores: o paredón, modalidade de pena que, além de aplicada ao “crime de desobediência de culto”, também se aplica aos denominados “agentes questionadores da lei” pela prática dos chamados “crimes políticos reacionários”, crimes esses que desafiam a política oficial.
Os casos mais brandos de crimes passíveis da punição estatal, como o crime de “compartilhar a palavra conservadorismo nas redes ideológicas” (antigas redes sociais), admitem penas edificantes a serem cumpridas nos gulags construídos na Caatinga, complexos penitenciários compostos de celas-containeres. O objetivo é recuperar criminosxs caucasianxs e reinseri-lxs na sociedade através de aulas sobre o marxismo cultural.
Crimes como roubo, latrocínio e estupro só são atribuídos a descendentes de europeus.
Menores, mulheres, negros, índios, gays, nordestinos e muçulmanos têm direito à redução automática de penas para qualquer tipo de crime.
A evolução é tão acentuada que os outrora chamados pejorativamente de pivetes, agora cidadãos do mais alto escol, assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Bolivariano (criado no mandato de Sua excelência) prometendo proporcionar uma morte assistida e humanizada a suas vítimas.
A pedofilia passou a ser um problema psicológico (merecidamente, diga-se) que obriga o praticante a frequentar um curso de 2 horas nas Clínicas Psicológicas Estatais. O mais importante é que não há agravamento em caso de reincidência.
Os manifestantes do Partidaço já não são mais aqueles profissionais alienados cooptados na rua e que prestam o serviço por 30 reais mais uma marmita ou um pão com mortadela e groselha, dependendo da hora da manifestação. Agora são estudantes de humanas com, no mínimo, especialização em táticas de guerrilha.
Tudo isso se passa em minha cabeça quando vejo um casal formado por um meninx e um rottweiler se beijando.
E pensar que um dia esse país foi conservador e fascista, e todos eram obrigados a ter família, filhos e tal, apenas para dar satisfação a uma sociedade patriarcal que cultuava uma religião exclusivista, clamando pelo retrocesso.

Fiquei feliz e sentei, chorando.