terça-feira, 11 de agosto de 2020

As vantagens de ser discreto

 

Estava eu bebericando após o almoço — na verdade, a feijoada da sexta —, jogando partidas de sniper assassin, quando, ativado pelo organismo, pensei em me dirigir ao banheiro. Número um. Ao levantar os olhos, percebi que um habitué do boteco havia partido naquela direção, e resolvi esperar. Graças ao bom Deus comecei uma nova partida e me saí muito bem, o que levou a outra, e a outra, e a outra...

Quando dei por mim, o sujeito estava enchendo um balde atrás do outro numa bica que ficava a uns três metros de onde eu estava. Em seguida, chegou o dono do bar. Um verdadeiro soldado medieval, um Dom Quixote de la Mancha equipado com sua lança — no caso, empunhando uma vassoura, além de carregar rodo, sabão em pó e máscara. Máscara de coronavírus, aquela que não serve para porra nenhuma. Não, não era um elmo.

Começaram ali os pedidos de desculpas ao proprietário, o que foi suficiente para revelar que a coisa não cheirava bem. Porém, eu precisava (mesmo) me aliviar; e decidi partir em direção à câmara de tortura. Bem lá no fundo, sabia o que enfrentaria, mas era dia de sorte e no meio do caminho o proprietário me interceptou, desviando a rota para o banheiro feminino.

Alívio, esperança... tudo momentâneo. Alguma senhora respeitável havia lambrecado a louça de bosta, "chamou" a descarga, mas largou para trás o produto restante. Triste sina... (Aliás, segundo a mitologia botequinesca, os banheiros femininos são nojentos.)

Juro que tentei ajudar o proprietário, mirando a "ducha" no "cimentado". Queria resolver, dar um fatallity, mas mangueira velha não apaga fogo novo; e algo ficou para trás.

Bom cliente que sou, ao sair daquele sanitário, avisei que ali também jazia material radioativo abandonado por soldada inglória.

O habitué cagão aproveitou para renovar suas (milésimas) humildes desculpas, e foi saindo, sem deixar de dizer que ia a casa tomar banho para já, já voltar. Cheiroso, por óbvio.

O proprietário disse que a louça barreada do banheiro feminino era o céu, pois o masculino estava todo chapiscado, com um cheiro que reproduzia o dos ciclos dos infernos.

Um pouco mais tarde, o moço voltou. Cabelo molhado, banho tomado, perfume, talco, bermuda marrom (?). Dirigindo-se ao proprietário, disse que notou um riso cínico no canto da boca das garçonetes enquanto entrava: “Você falou algo para elas?” — perguntou.

Como não houve resposta, ele rompeu o silêncio para começar a colocar a culpa no "remédio" que estava tomando. Sinceramente, achei-o magro para usar Xenical, mas...

Vida que segue. Voltei-me aos meus pensamentos, e agradeci a Deus por ser bom de mira, pois todas as vezes que usei o sanitário do bar para o número dois, larguei as bombas à distância, mas acertei todas no alvo. Por obra do Senhor, outra sorte: a fedentina era contornável.

 


Fernando Peixoto

Advogado, niteroiense, metido a escrever e, de certa forma, é um saudosista.

domingo, 5 de julho de 2020

Perplexidade



Era o vigésimo sétimo dia de março de 2020 d.C. O tempo, naquela tarde, estava bastante fechado, e garoava. No mundo inteiro, diante da TV ou nas redes sociais, pessoas acompanhavam, apreensivas, os passos claudicantes daquele idoso vestido de branco, numa caminhada que parecia não ter fim.
O mundo estava assombrado pela devastação que uma peste vinda da China causava por todo o globo, em especial na Itália; e a imprensa massacrava o público com notícias apocalípticas. O combate eficaz àquele sofrimento parecia muito distante.
Havia uma tenda instalada no centro da Praça, para onde ele se dirigia; ao fundo, duas peças sacras de inestimável valor eram mostradas aos fiéis de várias nacionalidades.
Aquele senhor, o Papa Francisco, caminhava para dar a Bênção “Urbi et Orbi” extraordinária com indulgência plenária – concedida, por tradição, apenas nas celebrações da Páscoa e do Natal e na eleição de um novo Papa [1].
O ícone de Maria Protetora do Povo Romano (“Maria Salus Populi Romani”) era uma das peças expostas. A reverência prestada tem origem na cura da peste negra [2], na pandemia de 593 d.C., uma das piores manifestações da história. Consta que após o Papa Gregório I determinar que o ícone fosse levado pelas ruas de Roma, a doença sucumbiu [3]. Já em 1873 d.C., o Papa Gregório XVI rezou ao lado da imagem, por ocasião de uma pandemia devastadora de cólera [4].
A outra peça existe por conta de um milagre: o crucifixo do altar principal da Igreja de San Marcello al Corso – em Roma, a míseros quilômetros do Vaticano – foi encontrado intacto, junto a uma pequena lamparina que ardia a seus pés, após um incêndio de grandes proporções arrasar a Igreja, em 1519 d.C. Apenas três anos depois, em 1522 d.C., quando nova pandemia de peste negra mais uma vez dizimou parcela considerável da população, os católicos, com muita fé, carregaram a imagem por dezesseis dias pelas ruas de Roma, e receberam a graça da cura ao final da procissão [5].
Eram tempos duros, mas eram tempos de fé. Ninguém atendeu ao “fique em casa”. Nas ruas, sem máscaras e sem álcool gel, unidos e em procissão, os fiéis, apoiados e irmanados com as autoridades eclesiásticas, pediram a Deus que pusesse fim àquele sofrimento e foram atendidos, porque creram N’Ele. Quando a vida voltou ao normal, não houve fome e desemprego, pessoas não estavam com as mentes adoecidas pelo confinamento, empresas não quebraram...
Voltemos à bênção papal.
Feita a leitura do Evangelho segundo São Marcos 4, 35-41, o Papa iniciou a homilia e citou vários trechos da Bíblia, como Joel 2, 12 (“Retornai a Mim de todo vosso coração”); o Evangelho de São João 17, 21 (“... que todos sejam um”); e a Primeira Epístola de São Pedro 5, 7 (“Tu tens cuidado de nós”), merecendo destaque, todavia, a citação ao Evangelho de São Mateus 14, 27: “não tenhais medo” [6].
Após a breve bênção, houve a adoração ao Santíssimo.
Muitos se sentiram aliviados, mas, por serem demasiadamente humanos, logo em seguida voltaram à rotina do isolamento, do uso da máscara, da não aglomeração, e da conivência com decretos estatais autoritários que permitem a invasão de culto celebrado em família [7] e criam regras que afrontam nossos costumes, estabelecendo limites absurdos para familiares e amigos velarem e enterrarem seus mortos [8]. (Nem vou falar dos relatos sobre falsa comunicação da “causa mortis”.) Porque perderam a fé no divino, continuaram a xingar e a delatar quem não aderiu ao comportamento de manada, à histeria; quem não entrou em pânico; quem não demonstrou fraqueza e nem tentou impor ao outro sua crença no cientificismo e em políticos e burocratas mal intencionados. Queriam a bênção para continuar suas vidas de religiosos “pro forma”, que não acreditam no real poder do Deus que cura, mas acreditam nos “deuses” da ciência que a cada minuto inventam soluções inócuas para combater o vírus e preveem um número futuro aleatório de vítimas [9].
As autoridades eclesiais da Igreja Católica, instituição que é expoente no processo civilizatório do Ocidente e do Brasil – inclusive estimulando o seu descobrimento [10] –, praticamente se calaram, como já vêm se calando há muito, abrindo mão de combater o bom combate em nome de um bem ou de uma paz que nunca virá, incapazes de perceber que Gog e Magog e seus seguidores jamais se sentirão saciados, mas estarão sempre preparados para empreender novos avanços até a total destruição da Igreja de Cristo.
Ah! Se tivéssemos ao menos a fé dos leigos da Idade Média, a fé perdida para o lobby “iluminista”, antropocentrista, com a facilitação dos vários grupos de interesse infiltrados ao longo da história. Já não é possível contar com a mesma fibra, pois a Igreja, conformada, aos poucos foi se adequando ao mundo moderno. Tanto que a maior parte de seus membros hierárquicos prestou apoio ao slogan manipulador do “fique em casa”, ou apenas se calou diante dos fatos e da invasão do Estado no direito ao culto, a qual jamais irá retroceder, mas só avançar [11, 12, 13], até o ponto em que os sacramentos não poderão ser celebrados, o Código Canônico não poderá ser aplicado e o catecismo não poderá ser ensinado por determinação de normas seculares.
Naquele dia, no Vaticano, a belíssima imagem do rosto de Cristo no crucifixo, molhado pela chuva, comoveu a todos. Ele parecia chorar por sua Igreja, que padece pelas sucessivas ações de grupos que querem destruí-la desde dentro, e por seus filhos, vítimas do vírus, da maldade do socialismo, da ganância pelo poder e da ignorância, toda a obra do pai da mentira [14].
A solenidade emocionou; só não emociona, nessa hora tão sensível, a forma covarde, conformada, silenciosa, polida e, por vezes, maliciosa com que o Clero, que já foi honrado por inúmeros santos mártires, vem conduzindo esse tema tão importante à sua própria sobrevivência e à salvação dos que creem.

Notas
[1] Bênção Urbi et Orbi e Indulgência plenária com Papa Francisco. Rede Vida, 27/03/2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VUIDliD2MVo&t=1030s;
[2] Peste negra: se transmitida por pulgas e ratos infectados, é a peste bubônica; se transmitida pelo contato com humanos, é a peste pneumônica;
[3] Souza, Francisco. Conheça a história do ícone para o qual o Papa rezou pedindo o fim da Pandemia. Comunidade Shalom, 28/03/2020. Disponível em: https://www.comshalom.org/conheca-a-historia-do-icone-para-o-qual-o-papa-rezou-pedindo-o-fim-da-pandemia/;
[4] As duas orações do Papa para invocar o “fim da pandemia”. CNBB – Regional Leste 2, 16/03/2020. Disponível em: https://www.cnbbleste2.org.br/noticia/as-duas-oracoes-do-papa-para-invocar-o-fim-da-pandemia--16032020-102613;
[5] DAUD, Maria Paola. A história do crucifixo milagroso que salvou Roma da peste. Aleteia, 19/03/2020: https://pt.aleteia.org/2020/03/19/a-historia-do-crucifixo-milagroso-que-salvou-roma-da-peste/;
[6] Texto integral da homilia do Papa Francisco neste 27 de março. Vaticano: Vatican News, 27/03/2020 Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-03/papa-francisco-homilia-oracao-bencao-urbe-et-orbi-27-marco.html;
[7] COSTA JR., Hélio. Governador de Santa Catarina exige hóstia embalada para comunhão. Santa Catarina: Estudos Nacionais, Disponível em: https://www.estudosnacionais.com/23317/governador-de-santa-catarina-exige-hostia-embalada-para-comunhao/;
[8] BRANDINO, Géssica. Prefeitura de São Paulo restringe horário e público em velório para evitar contágio por coronavírus. São Paulo: Uol, 19/03/2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/prefeitura-de-sao-paulo-restringe-horario-e-publico-em-velorio-para-evitar-contagio-por-coronavirus.shtml;
[9] Sem isolamento e ações contra a Covid-19, Brasil pode ter até 1 milhão de mortes na pandemia, diz estudo. G1, 27/03/2020. Disponível em https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/27/sem-isolamento-e-acoes-contra-a-covid-19-brasil-pode-ter-ate-1-milhao-de-mortes-na-pandemia-diz-estudo.ghtml;
[10] Portugal, um país extremamente católico, ao se lançar ao mar, também buscava cumprir o que nos exorta o Evangelho de São Marcos 16,15: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”;
[11] Estado de Sergipe. Decreto nº 40.598, de 18 de maio de 2020. Disponível em: https://www.se.gov.br/uploads/download/midia/37/5c2a2962e8b8c9e943342d2836532fe7.pdf;
[12] Estado de Pernambuco. Decreto nº 49.024, de 14 de maio de 2020. Acrescentou o inciso XXXVII ao Anexo I do Decreto nº 49.017/2020, passando a considerar atividade essencial [apenas] a celebração religiosa transmitida por meios de comunicação. Disponível em: https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=6&numero=49024&complemento=0&ano=2020&tipo=&url=;

[13] Nota Oficial dos Bispos de Santa Catarina. CNBB – Regional Sul 4: Florianópolis, 22/04/2020. Disponível em: https://cnbbsul4.org.br/wp-content/uploads/sites/77/2020/04/Deus-nunca-nos-abandona-Nota-Oficial.pdf;

[14] Evangelho de São João 8,44: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.



Fernando Peixoto
Advogado, niteroiense, metido a escritor e, de certa forma, um saudosista.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Desnutrição (ou Jornal Nacional)




Cheguei a casa urrando de fome e com muita pressa, mas a história não se resume a isso. Havia saído para tentar caçar alguma coisa, fosse um trabalho que rendesse uns cobres, ou um animal que pudesse ser servido no jantar. Para meu desespero, moro numa cidade que já foi grandiosa, estragada por políticos corruptos, onde os animais que encontramos nas ruas não são recomendáveis para uma refeição.
Sabia que era grande a possibilidade de, no máximo, conseguir arranjar problemas. Não sou chinês para comer ratos, e nem queria imaginar se uma dessas dondocas noiadas mães-de-pet me vissem dando um teco ou uma porrada nos cornos de um gato ou de um cachorro vadio para me alimentar por, pelo menos, duas vezes. Pensei que poderia pedir dinheiro a uma delas para comprar um podrão na esquina, mas era melhor não, pois elas não dão refeições, ou dinheiro para comprá-las, a um adulto. Primeiramente, por não se importarem com humanos, independentemente de sua idade ou situação pessoal; e em segundo lugar porque já torrou todo o dinheiro, na maioria das vezes no veterinário, no pet shop e na compra do iPhone para tirar fotos dos filhos e colocar no seu Instagram e em páginas do tipo “mundo pet”. Fodam-se as mães-de-pet!
Cheguei a mendigar, mas a minha carranca mais assusta que inspira a solidariedade humana, o que torna essa tarefa um tormento.
Teimoso, segui por aí até conseguir que a funcionária boazinha de uma padaria ouvisse minhas lamúrias, e se apiedasse de mim. Disse que não poderia pagar por pãezinhos fresquinhos, pois aquela desgraça de peste chinesa, a tal Covid (ou covarde?) 19 havia desempregado todos de sua família, que naquele momento viviam graças ao subemprego dela, mas pediu que eu aguardasse, pois tentaria pegar um pão duro em meio aos que estavam no estoque para descarte. Eu sabia que ela mentia sobre o descarte, porque aquilo seria aproveitado para fazer farinha de rosca: reaproveitamento, valor agregado... Tudo isso faz parte do empreendedorismo, eu bem sei, e ainda mais num país de merda onde a merda da esquerda faz de tudo para vampirizar o empresário e escravizar a população. Sim, até um fodido como eu já ouviu falar dessas coisas.
Ela deu dois pães, e eu corri para casa. Havia gás na botija, pois aquilo que não se usa não acaba. Há tempos não saía comida dali, e não era por falta de dotes culinários.
Esquentei uma banda do pão na única boca do fogão que funcionava, para amolecer o alimento que poderia acabar de quebrar os cacos de dente que ainda possuía, caso tentasse mordê-lo a seco. Como não sou alcançado pelo pecado capital da soberba, agradeci a Deus pelo bendito pão torrado que aplacaria minha fome, e intercedi pela boa alma que a havia providenciado. Peguei uma colher de sopa cheia da manteiga que descansava sobre a mesa e esfreguei na banda do pão de sal, e mais uma, chegando a lambuzar os dedos que seguravam aquele santo pedaço de comida que salvaria a noite, aplacando a fome que me castigava desde o dia anterior, quando consegui salvar meio sanduíche na lixeira, onde um gordinho fresco o havia descartado.
Lambi os dedos, por óbvio, mas fazendo caretas. Não reunia condições de desperdiçar qualquer coisa que pudesse ser comida, mas, por Deus!, seria a última vez que comeria aquela pasta rançosa intragável, que jazia sobre a mesa há milênios, com um pouco de bolor nas bordas. Isso explicava a quantidade estúpida de manteiga, a qual certamente provocaria um enfarto na nutricionista solitária e meio coroa que eu havia comido por todo o inverno de 1994, em Petrópolis. Que fique claro: comido no sentido metafórico (e metadêntrico, se for o caso, na sequência).
Vou dormir, e tentar esquecer toda essa desgraça, e só uma coisa pode me confortar, além da minha fé: não há pesadelo que seja pior que essa realidade.
As coisas podem ser diferentes amanhã. É possível encontrar um rumo decente para minha vida, conseguir uma renda regular para fazer aquilo o que fazem as pessoas normais: pagar contas e boletos. Isso se meu estado e aparência famélicos permitirem que eu tenha condições de me apresentar para fazer algo, e efetivamente o consiga fazer. Há também a possibilidade de ser atropelado por algum altruísta que resolva expiar seus pecados me ajudando a recuperar o orgulho, para voltar a levar uma vida normal.
Tenha bons sonhos...

Boa noite!


Fernando César Borges Peixoto
Advogado, niteroiense, gosta de escrever e, de certa forma, é um saudosista.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Não deixe para amanhã o que você pode fazer transanteontem



Ontem, dia 19/05/2020, no Rio de Janeiro, foi dia da votação do projeto de lei que permitiria ao seu governador autoritário, Wilson Wietzel, decretar lockdown pelo período que quisesse, e sempre que desejasse.
E é lógico que, uma vez aprovado, esse vírus comunista letal, gestado no (e sob as bênçãos do) STF, iria se disseminar rapidamente por todo o território nacional, confirmando, via Legislativo, as bizarrices ditatoriais dos respectivos Executivos.
Havia 100 pessoas (CEM!) na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para protestos.
Não adianta ficarmos em casa ministrando johrei, ou nas redes sociais, de longe, esperando que os outros se manifestem tomando tiro, porrada e bomba para assegurar nossa liberdade. Precisamos arrostar as autoridades que fazem sangrar as decantadas “instituições”.
Também não adianta esperarmos as FFAA, que estão há tempos empesteadas de comuno-socialistas e de positivistas (revolucionários, pois bem) que apenas sonham com sinecuras para aumentar o “soldo”.
E muito menos adianta ficarmos clamando por atitudes do Presidente Bonsomnário, que está de mãos amarradas, sofrendo ataques diuturnos de um establishment apodrecido, insaciável de poder e grana, que apenas espera do Presidente uma medida, mínima que seja, que possa ser usada como fundamento para apeá-lo do poder e o colocar numa cela ou forçar seu exílio.
Eu não fico mais em casa; dane-se a minha “abreugrafia”!
P.S.: Ah! A providência divina nos salvou mais uma vez. Você tem rezado por isso?

Fernando César Borges Peixoto
Advogado, niteroiense, gosta de escrever e, de certa forma, é um saudosista.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O Papa Francisco e o criminoso não arrependido



É necessário refletir e lembrar, antes de crucificar o Papa Francisco, que ele não é/foi o primeiro nem será o último da história a conferenciar com figuras abjetas no Vaticano. Quantos tiranos, assassinos, genocidas já não foram recebidos pelos Chefes desse Estado (sim, o Papa é também um Chefe de Estado), inclusive por questões protocolares, através dos tempos?
Há até alguns pontificados que envergonham o fiel católico, basta ver a história.
Um número expressivo de católicos (que os fiéis de outras religiões se ocupem com seus problemas, que não são poucos) possui a nítida impressão de se tratar de um pontificado claudicante – e pode haver verdade ou exagero nessa colocação –, mas o certo é que esse momento delicado está promovendo o maior engajamento do verdadeiro fiel da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Então, oremos pelo Papa Francisco.
Observe-se, porém, que a promessa de Jesus Cristo permanece, e as portas do inferno não prevaleceram (nem prevalecerão!) sobre a Igreja que Ele criou, ainda que volte a ser composta de 12 reunidos clandestinamente.
Ninguém pode negar, em sã consciência, o incômodo da visita do ex-presidente Lula; é um momento triste, até porque o criminoso há pouco disse que seu partido deve retornar "às bases", o que se materializa nas comunidades de base da Igreja Católica; e a recepção papal acaba servindo como chancela do Sumo Pontífice a essa fase de regresso ao berço do agora "Lulinha paz e espiritualidade".
Atenção! Até livro intitulado “Lula e espiritualidade – Oração, Meditação e Militância” está sendo lançado.
(Aliás, também é verdade que o meliante pediu aos comparsas para "investirem pesado" nas religiões cristãs protestantes; parece querer enfrentar os conservadores, obstáculos à concretização do plano de poder da esquerda véia-de-guerra.)
E não se pode esquecer de todo o simbolismo que envolve tal figura: com ajuda de companheiros que representam a "nata" da teologia da libertação (Boff, Betto...), criou-se a imagem do homem que cura; que olha pelos pobres; que é a salvação de todos... O próprio Messias encarnado.
A ideia materialista de recriação do Reino dos Céus aqui na Terra - e os males de todo esse projeto obscurantista -, que retira a transcendência e inocula nas massas ignaras a religião do Estado com seus santos e deuses (seja a que vertente revolucionária os envolvidos pertençam), deve ser imediatamente desmascarada; explicada, e em linguagem acessível, pelos pastores dos rebanhos cristãos, a todos esses fiéis fervorosos, "ávidos por cultuarem", e que, para não facilitar, foram vítimas da educação paulofreiriana.
Se deixar, eles serão desviados facilmente.
É uma bomba-relógio que pode explodir em (e as) nossas cabeças.
Orai, vigiai e agi.

Fernando César Borges Peixoto
Advogado, niteroiense, gosta de escrever e, de certa forma, é um saudosista.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Princesa




Acordo esgotado, trabalho cansado
Resistência extenuada nos dias arrastados
Talvez eu mereça...
Mas, no fim da noite, eu sei
Que vou chegar a casa e encontrar você
Vai mudar minha rotina
Dar um gás animal
Vestir a fantasia de princesa
Ou virar a heroína que ilumina
A minha vida; ficar acesa
Eu paro de imaginar, prefiro ver
Escrever poesias, ser o guia da minha própria guia
Quem veio ser meu norte
Quem traz sorte, mansidão
Cuida do meu coração
Com o maior dos remédios: amor.




Fernando César Borges Peixoto
Advogado, niteroiense, metido a escrever algumas coisas e, até certo ponto, um saudosista.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Hamburgueria



Era finzinho da década de 70, início da de 80 do século passado, e um boteco a poucos passos de minha casa foi transformado numa "hamburgueria".
Tratava-se de uma notícia alvissareira, uma novidade que mexeu com o povo do bairro.
A partir de então, travei uma batalha cruenta contra o desejo incontrolável de comer aquele acepipe, que ficava ainda mais delicioso aos olhos de uma criança/pré-adolescente da periferia.
Sim, amigos, falhei miseravelmente!
Ali e por todo o resto de minha vida, no tocante àquele disco de carne moída inserido num pão fofinho, que será acrescido de vários acompanhamentos, segundo a fome, a disposição e o gosto do consumidor.
E o que poderia eu pretender?
Se não consegui vencer a luta contra o hambúrguer do Carlinhos - era esse o nome daquele monstro sem sentimentos...
Eu dizia: "se não consegui vencer a luta contra o hambúrguer do Carlinhos...", como poderia encarar impérios como o do Bob's e o do palhaço?

Fernando Peixoto
Advogado, niteroiense, é metido a escritor e, de certa forma, um saudosista.