quarta-feira, 12 de julho de 2017

Fim de papo


“Parabéns, hoje faz 6 meses que não fazemos sexo entre nós”, dizia a mensagem. 7h56min no relógio, era dia 12 de dezembro.
Ele tinha razão, fazia 6 meses que ela, incompreensível e desnecessariamente, vestira aquele corpete caríssimo e a calcinha de fio “mental”, de tão inexistente, para comemorar — por quê? — o dia dos namorados.
Mirtes e Roberto tinham a exata noção de que não havia mais nada a acrescentar um ao outro. A relação se mantinha apenas pro forma, e nem sequer sabiam o porquê de ainda dividirem o mesmo teto. Talvez fosse a crise...
Cada um, a seu modo, ia procurando estabelecer um jeito de caçar o próprio rumo, mas isso não implicava necessariamente a busca de novos relacionamentos. Pelo menos, nada era feito às escâncaras, pois havia o respeito, ainda que seguro por uma linha muito tênue.
Não puderam fazer muita coisa para evitar o fim. Simplesmente chegara o momento em que tudo se resumia a isso: ela achava que ele entregava muito pouco, e ele achava que ela não entregava nada e exigia coisas que não tinha condições de bancar.
Em verdade, estavam tão anestesiados que nem discutiam mais; apenas se limitavam a dar razão ao parceiro. Resignados, haviam percebido que não passavam de espectros, um na vida do outro. Era como se vivessem em dimensões diferentes, imperceptíveis, sem interferir, sem somar. O vazio.

***
À noite, não houve um ai sequer sobre a mensagem tola enviada no início do dia. Era uma quinta-feira, dia morto para ambos. Não havia o drink com amigos, ou o cinema do grupo.
Na hora do jantar, ele abriu um vinho e disse, tranquilamente, que no fim de semana estaria saindo de sua vida para nunca mais voltar. Foi aí que ela percebeu que a mensagem tinha sido uma espécie de “foda-se” menos agressivo.
Ele acrescentou, sem precisar, que as “crianças” já estavam encaminhadas na vida, e a presença dos pais em conjunto não se fazia tão necessária.
Não houve choro, nem vela acesa. Nada se discutiu ou perguntou. Ela disse ok, foi econômica, como era natural entre eles nesses últimos tempos.
Ele escovou os dentes e se acomodou no chão da sala, onde gostava de dormir. Ela ficou feliz pelos dois. Foi para a cama ler um capítulo de um livro que tratava de jogos eróticos, e teve um sonho molhado com ele. Com ele não — com aquele ele que ela havia conhecido há 25 anos.


Fernando César Borges Peixoto

Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

A Incontinência


Aquela incontinência urinária o incomodava há meses, e pouco depois de adentrar e se instalar no restaurante, sentiu vontade de ir ao banheiro. Levantou-se da cadeira e seguiu os passos já conhecidos, naquele jeito de quem se espreme para não fazer ali mesmo, nas calças.
Bastou entrar e se trancar para ouvir tiros-gritos-tiros.
Ficou em estado de choque. Mijou igual um chafariz, molhando tudo ao redor, inclusive o sapato, e quando voltou a si, Penélope esmurrava a porta, gritando seu nome, histérica, e perguntando se ele estava bem.
Saiu sem dar a descarga, e ela, sem tomar fôlego, foi logo o colocando a par dos acontecimentos, metralhando palavras desconexas.
Ao final, ele compreendeu que dois encapuzados haviam invadido o recinto e disparado vários tiros, a boa distância, no careca que estava sentado ao seu lado.
- Podiam ter acertado você, Tavinho. - E chorava...
Foram caminhando, e Tavinho já estava com tudo sob controle, apesar de incomodado com aquele sangue que saía do corpo do sujeito inerte, ainda descoberto, olhos esbugalhados e rosto deformado, esburacado pelas balas que o atingiram.
- É, podiam ter me acertado - respondeu. - E eu reclamando de meu problema. Vejo agora que isso só pode ter sido coisa de Deus: uma doença enviada por Deus... - falou, pausadamente, para encerrar, enfático:
- Não havia escolha. Era incontinência ou morte!


Fernando César Borges Peixoto

Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A cerveja quente, o pote vazio



Bartolomeu recorria outra vez ao cofrinho, catando algumas entre as parcas moedas (que outrora abundavam), para pagar as passagens de ônibus. Vivia essa rotina desde que uma nova crise se abatera pelo país, mas ao menos não entrava mais no cheque especial, nem o cartão de crédito era rejeitado na hora de abastecer o carro, que havia vendido para pagar dívidas e, com a sobra, comer por mais uns dias.
Andava cabisbaixo. Era uma época triste, e não apenas por causa da crise financeira — havia também uma crise política e moral: uma intensa investigação criminal havia revelado uma rede de corrupção com extensas ramificações no meio político e no serviço público. A relação promíscua entre autoridades achacadoras e empresas privadas, de laranjas ou de amigos do rei, revelava a prática de um modelo econômico fascista, de um capitalismo de compadrio. A crise moral sem precedentes não havia atingido apenas a classe política e o serviço público, mas intelectuais e artistas, sempre a serviço de partidos políticos, grandes canais da mídia domesticada, disseminadores de mentiras, e até líderes religiosos. Vários expoentes da doutrinação ideológica haviam perdido o apoio popular, a confiabilidade e o respeito. Sem contar a guinada no âmbito dos costumes, rumo à sonhada derrocada da moral judaico-cristã, pilar da Civilização Ocidental.
Já no escritório, arrumou uma pilha de folhas impressas, leu o noticiário, e-mails, alguns artigos técnicos e as 25 folhas diárias do livro “da vez”. Lanchou café e biscoito, rascunhou uma tese sobre o abuso dos administradores das redes sociais em relação aos usuários, lanchou de novo, e quando se deu conta chegava o fim de mais um expediente, que havia transcorrido de forma muito próxima ao dos outros dias: ninguém procurou seus serviços, e o pó de café havia acabado. O pote vazio, ele levou para fazer companhia ao do açúcar, que chegara ao fim há pelo menos duas semanas...
Como à noite passaria na TV um jogo do time de coração, foi ao mercado e levou duas cervejas — quentes, porque eram mais baratas.
Enquanto viajava de volta, lembrava-se de fatos de sua vida: dois divórcios acumulados, e um dos seis filhos que não falava mais com ele desde o fim do casamento com a mãe — diagnosticada como histérica, que tornara sua vida um inferno, em razão de ciúmes e de falta de equilíbrio; os planos enquanto estagiava; e a tristeza que sentia ao ver advogados mais velhos mal arrumados, com roupas puídas, mas vivaldinos, ávidos por tirar dinheiro dos clientes em troca de um serviço ruim. Era um jovem estudioso, vaidoso, bem formado e informado, um admirável workaholic bem empregado, e que produzia muito. Por isso pôde deixar escapar um cargo público, para não se afastar da primeira esposa. Se tivesse deixado tudo para trás, não teria a oportunidade de experimentar e vivenciar tantas coisas maravilhosas, engrandecedoras e sublimes — inclusive a paternidade em sua plenitude. (Na realidade, o tudo era um grande nada, pois não havia construído até ali nenhum patrimônio considerável, fosse de cunho pecuniário, profissional ou pessoal, e até sua capacidade intelectual começava a ser posta à prova.)
Embora não se arrependesse, hoje aquele trampo fazia falta: estaria próxima a aposentaria com proventos integrais, e teria gozado das benesses do serviço público durante a carreira, ainda que isso não lhe deixasse totalmente feliz, pois reconhecia o enorme sacrifício dos contribuintes para sustentar a máquina pública, e o luxo de servidores e de políticos corruptos que diziam lutar em prol da sociedade. (Guardava consigo uma máxima: corra de quem diz que luta por você.)
Absorto em seus pensamentos, imaginava se aqueles advogados dos quais se apiedava não seriam até brilhantes no início da carreira; se não teriam vivido os mesmos dilemas que ele, ou tido iguais frustrações. Por ironia do destino, de certa forma, havia se tornado um deles - ou refletia a ideia que fazia deles: poucos clientes, sem dinheiro no bolso e no banco, o ímpeto diminuído para o estudo e o trabalho — até mesmo o jeito de se vestir havia modificado com o passar dos anos... Ele aprendera a conviver com aquilo, era verdade, até para manter a sanidade. Contava com 58 anos, e o único bem que havia sobrado era a sala num excelente ponto, mas que já, já teria que vender para pagar dívidas e evitar mais gastos com a taxa do condomínio, que vivia atrasada. Trabalharia no escritório modelo que o órgão de classe mantinha para profissionais “sem chão”.
Agora pensava em tudo o que passara em sua profissão, e concluiu que o mundo não era lugar de justiças. Justiça... Tantas vezes lembrada por pessoas posicionadas em lados extremos, a justiça era uma falácia, algo imposto pelo establishment aos que devem obedecer, um conceito esvaziado de significado por demagogos, desonestos e oligofrênicos, todos em busca de algo vantajoso para si. Sua experiência mostrava que a justiça dependia do poder e da capacidade de articulação das partes envolvidas, porque o ordenamento jurídico era construído de forma a atender interesses, necessidades de ocasião ou ideologias dos operadores do Direito.
Após chegar a casa, enquanto vasculhava o armário vazio, procurando algo que servisse de tira-gosto — uma lata de salsicha petit, sabia que havia comprado uma —, a bolsa vagabunda do mercado, que ainda estava em suas mãos, abriu e uma das garrafas se espatifou no chão.
Ele foi invadido por um misto de raiva e autopiedade. Aquilo era algo significativo, pois toda a sua miséria (e decadência) se revelava: a perda de algo ordinário que lhe era muito, muito caro naquelas circunstâncias, fosse pelo valor monetário, fosse porque lhe daria alento, aplacando, ainda que de forma passageira, sua miserabilidade.
Uma lágrima rolou de seus olhos.



Fernando César Borges Peixoto


Advogado, pós-graduado, niteroiense, gosta de escrever e, de certa forma, é saudosista.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Três atos de escrotidão

1º Ato.
Feito o pregão, entro na sala de audiências com o preposto do banco, após dar passagem ao colega e a seu cliente, um idoso. O conciliador ainda se ajeitava na cadeira, quando me foi perguntado o valor da proposta.
- Não há proposta, Dr. - respondi ao advogado.
- O Dr. está de brincadeira comigo? - disse ele - V. Sª me fez vir aqui à toa?
Retruquei:
- Dr., eu marquei algum encontro com V. Sª? Sou obrigado a fazer propostas? Cuide do seu trabalho, e eu cuido do meu.
Uma voz fina e assustada invade o ambiente:
- Drs., dia 30 de maio, às 14 horas, está bom?
Era o conciliador, marcando a audiência de instrução e dispersando o clima ruim.

2º Ato.
Precisando comprar um colchão, fui a um lugar onde havia duas lojas, uma de cada lado da avenida – uma chique, outra “plebeia”.
Na loja “não chique”, uma vendedora enjoadinha me atendeu, e ao pedir para orçar o modelo que gostei, ela indagou a forma de pagamento e o número do meu CPF. Eu a questionei, e ela disse que era para eu levar logo, porque não encontraria mais barato. Respondi que não faria isso, pois era a primeira loja em que entrei.
Com o orçamento, parti para a loja em frente, onde uma vendedora simpática, bonita e bem vestida me atendeu, deixando-me à vontade.
- Resolvi ver esse e aquele - eu disse, depois de passear pela loja.
- Vou fazer o orçamento para o senhor - respondeu - qual a forma de pagamento?
Nesse momento, a vendedora chata, da outra loja, chega e me encara, com um sorriso sarcástico. Vai direto falar (alto) com o gerente, mostrando que as lojas pertenciam ao mesmo proprietário. Faltou me chamar de otário.
Virei para a simpática vendedora e disse:
- Moça, não perca seu tempo. Eu agradeço a atenção, mas você perdeu a venda por causa daquela que entrou, meio que debochando de mim. Ela me atendeu na loja em frente e disse que eu não encontraria nada mais barato quando falei que ia procurar outros orçamentos. Então, veio aqui atrás de mim, para me afrontar. Boa tarde!
Elas que se acertassem por lá.

3º Ato.
Acabei de almoçar e voltei andando para o escritório. Cheguei ao hall do prédio e o elevador de serviço estava bloqueado por alguém que carregava um material. Apertei o botão do outro e aguardei.
Chegou um senhor e, logo em seguida, um rapaz, que já foi perguntando se não entraríamos no elevador parado. Em voz alta, questionou o motivo de estar parado, ao mesmo tempo em que retirava o objeto que segurava a porta, dizendo que precisava subir. Era uma “marra” dos diabos, e um alvoroço danado por pouco.
Pensei o porquê da figura “chegar chegando”, inconvenientemente, com tanta arrogância.
Ao ouvir aquele furdunço, veio o porteiro, esbaforido, dizer, para mim, que ia liberar o elevador. Eu respondi que não havia a menor necessidade, pois enquanto o apressadinho já estava instalado no elevador de serviço - “péin” - soou a campainha e a porta do social se abriu.
Eu entrei, o senhor veio atrás, e o porteiro teve que avisar ao zé ruela que o outro elevador havia chegado. Ele saiu de um, entrou no outro e não apertou o botão...
Saltou no mesmo andar que eu. Era cliente do dentista que atende ao lado de minha sala. Não, ele não era o dono do mundo, não era sequer proprietário ou inquilino de uma das salas do edifício.
*     *     *
Meus pais diziam que gente assim “tem o rei na barriga”. Já na minha juventude, eu chamava de escroto mesmo.
Deve haver várias explicações para comportamentos assim, mas, não estou nem aí para isso. Quero mais é que essas pessoas se phodam.




Fernando Peixoto

Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Egolatria


Ela insiste,
     quer que eu me esforce
     e me transforme no que jamais imaginei.
Finge não ouvir o que há tempos segredei.
Realiza expectativas nos meus passos,
     com a pretensão de guiá-los.
Resolve o porvir
     sem sequer conhecer a fragrância do perfume em meu corpo,
     misturado ao meu suor.

Que tempos tacanhos!
Profanação por pensamentos estranhos...
Mas não sou um ser virtual,
     tenho carne, sangue e osso.
Sim, eu tenho tutano!


Então, deleto meu perfil, e sigo
     à procura de algo mais humano.





Fernando Peixoto

Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.

Do alto da colina


Sozinho, desamparado,
miro o horizonte do alto da colina.
É um cenário muitas vezes já descrito...
Uma ave de rapina acaba de passar, lançando seu grito.
E daí? Não quero ler suas vísceras.
Eu já expus as minhas, e não fui correspondido.

Enquanto sofro, me calo;
Enquanto penso, meu falo
adormece e esquece que um dia viveu sem rumo.
Mas eis que quando entrei no prumo,
deu em nada.
Queimei a largada, servi a dose errada...

Por quem já foi, sem antes ter sido.



Fernando Peixoto
Advogado, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, um saudosista que agora inventou de escrever poesia.



domingo, 19 de março de 2017

O avanço na liberação das drogas



A esquerda progressista, predominante no meio jurídico, criou uma teoria perfeita para eternizar os “espaços ocupados” no ordenamento jurídico, que impede a remoção daquelas normas aprovadas que seguem pautas da agenda esquerdista.
Trata-se da “vedação ao retrocesso”, que proíbe suprimir, reduzir ou abolir, mesmo que de forma parcial, o núcleo essencial de direitos fundamentais estabelecidos pela via legislativa. Assim, uma vez reconhecidos, esses direitos devem ser efetivados e preservados, e qualquer medida estatal que avance sobre esse núcleo deve ser considerada inconstitucional. São exemplos as cláusulas pétreas estabelecidas no artigo 60, § 4º, da CF/1988 [1].
O mecanismo, que tratava de questões constitucionais, já é discutido e utilizado em várias disciplinas, como no Direito Ambiental, Direito Trabalhista e Direito de Família, p.ex. É o “progresso”. E quem decide a matéria, ao fim e ao cabo, é o STF, que vem frequentemente praticando o ativismo judicial para pôr em prática pautas… progressistas… criadas pela esquerda.
A palavra retrocesso soa melíflua em bocas progressistas, mas, afinal de contas, progresso e retrocesso são progresso e retrocesso para quem?
Merval Pereira anunciou que o Presidente Michel Temer vai procurar o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso para estruturar a “descriminalização das drogas” no país, tendo em vista que tal medida enfraqueceria “o poder dos traficantes” [2].
Há algumas considerações a serem feitas:
a) Cigarros, bebidas e até remédios são drogas liberadas que continuam sendo falsificadas e contrabandeadas;
b) O Estado irá regulamentar a produção e a venda de drogas, mas certamente haverá quem desenvolva, produza e trafique drogas fora da regulamentação estatal, com graus mais elevados da substância ativa;
c) Os traficantes possuem o know-how de distribuição e venda, e eles não vão perder esse nicho de forma mansa e pacífica [mais sobre esse assunto eu tratei no ensaio “Carta a um liberal (neo-)ateu que não irei enviar”] [3];
d) A violência nunca vai deixar de existir, e criminosos, além de dominarem o tráfico, vão continuar praticando crimes, como roubos, latrocínios e sequestros. São facções criminosas que continuarão com suas atividades, e a cada vez que o Estado ceder, mostrando-se fraco, os marginais vão exigir mais, através de chantagens;
e) Viciados se multiplicarão, e muitos não terão condições de sustentar o próprio vício, o que trará problemas para a sociedade, sem considerar o colapso causado na saúde pública já colapsada;
f) A questão da superlotação dos presídios é um falso motivo, porque não há usuários de drogas encarcerados nesses lugares, mas traficantes, que não são apenas vendedores de drogas, mas criminosos que aterrorizam a sociedade. Ou seja, além de traficar, eles matam, roubam e sequestram;
g) Essa é a realização de um plano da esquerda mundial, que enxerga numa nação drogada o lugar ideal para estabelecer suas regras sem questionamentos e se perpetuar no poder. Três observações devem ser feitas aqui: (i) o livro “Red Cocaine”, de Joseph D. Douglass Jr.; (ii) o “soma”, a droga “perfeita” que facilitava a vida do establishment em “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley; e (iii) a “Guerra do ópio”;
h) As facções criminosas brasileiras são parceiras das FARCs, que por sua vez são parceiras de vários partidos de esquerda da América Latina no Foro de São Paulo [4]. Ou seja, é possível que muitos políticos tenham relações estreitas com traficantes, e isso seja uma espécie de “ação entre amigos” [5].
Qual será o próximo passo?
O direito de usar e de traficar drogas hoje consideradas ilícitas será envolvido pelo núcleo de direitos fundamentais e, assim, proibida a sua supressão, redução ou abolição?
Esteja alerta!
Notas
[1] Artigo 60, §4º, da CF/1988:
4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I – a forma federativa de Estado;
II – o voto direto, secreto, universal e periódico;
III – a separação dos Poderes;
IV – os direitos e garantias individuais.
[2] PEREIRA, Merval. Guerra às drogas não deu certo. O Globo, 17/01/2017. Disponível em http://blogs.oglobo.globo.com/merval-pereira/post/guerra-drogas-nao-deu-certo.html. Acesso em 17/01/2017;
[3] PEIXOTO, Fernando César Borges. Carta a um liberal (neo-)ateu que não irei enviar. Impressões e Confissões Expressas, 19/11/2016. Disponível em http://fernandopeixoto-es.blogspot.com.br/2016/11/carta-um-liberal-neo-ateu-que-nao-irei_14.html. Acesso em 18/01/2017;
[4] BRASIL, Felipe Moura. Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil. Veja.com, 24/03/2014. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/conheca-o-foro-de-sao-paulo-o-maior-inimigo-do-brasil/. Acesso em 18/01/2017;
[5] CARVALHO, Olavo de. As esquerdas e o crime organizado. Apêndice de “A Nova Era e a Revolução Cultural…”. Disponível em http://www.olavodecarvalho.org/livros/neesquerdas.htm. Acesso em 17/01/2017.


Fernando César Borges Peixoto. Advogado, pós-graduado em Direito Público e em Direito Civil e Processual Civil, niteroiense, metido a escritor, ensaísta, cronista, contista e, de certa forma, saudosista.

P.S.: Ensaio originalmente publicado no portal Mídia Inversa (http://midiainversa.com/o-avanco-na-liberacao-das-drogas/).